terça-feira, 13 de junho de 2017

Boca Que Usa preparação para o Grand Prix of nations

BOCA QUE USA - O QUE É ISSO?
Deixe-nos contar um pouco da nossa história. Se você gosta de música, e da cultura que é produzida no Brasil, separe uns minutinhos para nos conhecer melhor, você não vai se arrepender.
O CANTO CORAL NA LETÔNIA - O CONCURSO DOS CONCURSOS!
Estamos a pouco mais de 1 mês de um dos concursos de corais mais disputados no mundo, que nessa edição será realizado na Letônia.
O canto coral está para a Letônia como o samba está para o Brasil.
Neste concurso, só participam corais premiados em concursos internacionais recentes e com uma alta pontuação no ranking internacional de coros: ou seja, é uma disputa entre campeões do mundo inteiro.
E o que um pequeno coral, fundado em Niterói há 20 anos, tem a ver com isso?
Nós estamos classificados para este concurso!
Nenhum grupo brasileiro conseguiu essa proeza antes.
E como conseguimos isso?
TRAJETÓRIA INTERNACIONAL DO BOCA QUE USA
Bem, há 20 anos, quando fundamos o grupo, a gente não imaginava que isso  aconteceria um dia...
Mas com o passar do tempo, fomos vendo que os nossos passos estavam dando certo de alguma forma.
Conquistamos algumas medalhas valorosas no exterior nesse meio tempo e as histórias são intermináveis: histórias de muita luta para mantermos nossos projetos vivos e cantando, não importando o que acontecesse.  
COMO CHEGAMOS A SER CLASSIFICADOS PARA COMPETIR EM RIGA (LETÔNIA).
Mas a história de chegada dessa nossa última classificação para disputarmos este concurso entre os melhores, foi particularmente especial: conquistamos duas medalhas de ouro em Barcelona em 2014!
Lá, nos inscrevemos nas categorias de nossa maior afinidade musical: religiosa e erudita.
Somos um coral diferente, onde os integrantes participam da escolha do repertório e se revezam na regência.
Todos somos cantores e regentes ao mesmo tempo.
Não chega a ser anárquico, muitos apostariam que não daria certo, mas o fato é que esta nova experiência tem dado muitos frutos.
Mesmo assim, em 2014 nós saímos do Brasil com o espírito de sempre, de aprendermos muito com os corais europeus, nossas referências musicais desde sempre.
Saímos em expedição, e nos apelidamos de “O incrível exército de Bocaleone”, nos referindo ao bravo cavaleiro Brancaleone, retratado por Mario Monicelli no cinema que, em condições adversas, numa Europa devastada pela Peste Negra, reuniu um exército de esfarrapados em busca de um feudo, onde teriam suas vidas e almas salvas.
Nosso grito de guerra era, então, “Boca, Boca, Boca! León, León, León!”
Sabíamos que teríamos que enfrentar coros tradicionais de todos os países europeus e asiáticos que o Brasil nem de perto tem essa tradição toda no canto coral.
Mas fomos assim mesmo.
Antes de sabermos que tínhamos ido tão bem no concurso, vimos várias pessoas de vários países se aproximarem com curiosidade e alguma admiração.
Os russos elogiaram de várias maneiras a Ave Maria que cantamos em eslavo, o Bogoroditse Devo de Rachmaninoff.
Um regente, que havia sido nosso jurado, nos disse que se ele fechasse os olhos, jamais imaginaria que teriam apenas 16 vozes ali…
Todos eram unânimes em uma certeza antes de nos ouvirem: a de que não esperavam muito de um coral brasileiro.
Todos imaginaram que teriam que aturar entre 15 e 20 minutos de sofrimento com a nossa audiência, mas ficaram gratamente surpresos com a técnica e com a capacidade interpretativa do grupo.
Após a nossa apresentação nas duas categorias do concurso, o público e os jurados, quebrando o protocolo, aplaudiram o Boca que Usa de pé!
Fomos convidados para participar do concerto de gala noturno com mais dois corais consagrados de Barcelona.
Nem assim acreditávamos que as nossas duas premiações de ouro estavam nos esperando, juntamente com a mais alta pontuação do concurso...
Agora o nosso sonho de fazer música coral de qualidade no Brasil, do nosso jeito, frutificou: temos esta oportunidade na Letônia e não gostaríamos de deixá-la escapar!
Há uma comunidade brasileira na Letônia que nos aguarda ansiosa e estará presente nos dias das competições para torcer por nós. Saca as Olimpíadas?
Estamos já muito emocionados com a possibilidade apenas de podermos levar o nome do Brasil e para um evento cultural tão importante no cenário do canto coral mundial.
Estamos firmemente convencidos de que a gente conseguiu uma mistura entre o formalismo da arte europeia e o gingado brasileiro que está encantando a quem nos ouve mundo afora.
O PORQUÊ DA CAMPANHA: A NOSSA IDA ESTÁ COMPROMETIDA!
Com isso tudo, um senão: a data do ano do concurso nos pegou de calças curtas: é alta temporada na Europa.
Por mais que consigamos descontos na hospedagem e alimentação por conta da organização do concurso, os preços das passagens estão absurdos para meados de julho!
Por isso abrimos essa campanha como última esperança de não deixarmos o nosso sonho morrer e nem deixarmos nenhum cantor para trás.
Pensamos que se cada um colaborasse com um mínimo, e divulgásse-nos, ou convencesse ao menos mais um amigo a também colaborar com  20 reais, conseguiríamos ir!!
Indicações para canais de divulgação também são bem vindos, da grande, média e pequena mídia, em sua sala de aula, ou entre os seus familiares.
Formando mesmo uma rede do bem para que possamos realizar novamente a expedição do nosso "incrível exército", em direção ao nosso feudo de realizações e tesouros para a cultura brasileira!


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Concurso Internacional de Coros de Calella - Barcelona - Espanha

Título do Evento: Canta al Mar 2014 - Festival Internacional de Coros
Entidade Organizadora:  INTERKULTUR- Alemanha

Ano: 2014

Componentes:
Sopranos: Elisa Bernardes, Giana Araujo, Letícia Gonçalves, Lina Santoro, Lívia Natividade
Contraltos: Ana Luisa Gouvêa, Erica Vilaça, Flávia Rodrigues, Márcia Godinho, Nina Fras
Tenores: Amilcar de Castro, Guilherme Campos, Gustavo Campos, Luciano Dyballa, Mário Sampaio

Baixos: Duda Guterres, Jerônimo Menezes, Ricardo Fraga, Roberto Fabri





Após o prêmio do concurso Ameride, decidimos que era hora de retornarmos aos palcos europeus, ao encontro dos concursos corais. O desafio era grande e exigia uma enorme logística operacional. 


Primeiramente tínhamos decidido aumentar o grupo: fato fundamental para a escolha e execução de um repertório mais elaborado. A jornada de Tolosa nos ensinou o quanto era fundamental a escolha do repertório. Teríamos de levar músicas que combinassem uma elevada complexidade técnica, um impacto interpretativo e, se possível, algo novo, fora do repertório mais tradicional.



Fomos lentamente aumentando nossas fileiras. Inicialmente entraram Elisa e Letícia, egressas do antigo Coro Infantil do Rio de Janeiro. Retornaram Nina e Amilcar, fundadores do Boca, e Luciano, que voltava a Niterói. Um pouco depois, chegaram Érica e Mário. Fechamos um grupo com uma grande afinidade musical e afetiva. 


O segundo desafio operacional era a escolha do concurso e a partir daí, a do repertório. Decidimos buscar um concurso da respeitada Fundação alemã INTERKULTUR, responsável por organizar alguns dos principais concursos corais mundiais. Em uma minuciosa pesquisa, vimos que o concurso de Calella era o mais concorrido nos últimos anos, apresentando uma grande diversidade de coros e nações, com um alto nível musical. 



Enviamos o nosso material e, pela primeira vez, um coro brasileiro foi aceito nesse disputado evento. Como desafio, escolhemos concorrer nas duas categorias de ponta do concurso: música erudita e música sacra.







O terceiro desafio era viabilizar economicamente nossa viagem à Espanha. Como o Boca Que Usa é um coro independente, tivemos de organizar saraus, caixinhas, rifas, concertos, feijoadas, etc ... visando minimizar os custos pessoais desse empreendimento.






Esse desafio não cumprimos totalmente, e, no fim, tivemos de bancar boa parte dos nosso custo com o nosso dinheiro mesmo. Fato notório e corriqueiro em um país onde a cultura é sempre colocada em último lugar nas listas de prioridade.








Definimos nosso repertório após longas ponderações e pesquisas intensas. Passamos imediatamente a trabalhar e apresentar as peças em concertos e encontros corais. Em setembro, no Festival internacional de Coro de Cabo Frio, apresentamos o repertório em ritmo de concurso. Ruy Capdeville e outros amigos previram premiação na Europa. Mas é claro que essa era, ainda, uma possibilidade muito distante 
para nós.








Uma vez mais a nau "Bocaleone" atravessava o Atlântico em busca dos concursos corais ... uma vez mais, o palco era a Espanha. Mais especificamente a Catalunha: Barcelona. 
Em Calella, uma bela e importante cidade litorânea, nos subúrbios de Barcelona, ocorria boa parte do evento e a hospedagem dos inúmeros coros. 




Ao chegarmos a Calella, assustamos com o número de participantes: cerca de 2500 cantores enchiam a pequena cidade de alegria e som. Calella respirava música coral. O concurso de Calella foi o mais concorrido concurso europeu em 2014. O evento reuniu o maior número de corais e nações concorrentes (64 coros de 28 países), de todos os continentes. 





No júri, importantes regentes internacionais como Mia Makaroff (Finlândia), Oscar Boada (Catalunha), Erland Dalen (Noruega) e Ralf Eisenbeis (Alemanha), dentre outros, corroboraram o elevado nível musical do concurso.







As competições sacras e eruditas seriam realizadas na histórica catedral de Santa Maria Del Pi, a primeira igreja gótica de Barcelona, localizada no igualmente histórico Bairro Gótico.
A categoria saca ocorreu à tarde. Iniciamos com uma peça da liturgia ortodoxa Russa, de Rachmaninoff  fato surpreendente e que nos rendeu elogios e contatos com muitos coros do Leste Europeu. 




Em seguida, a Catedral cantou com o Boca o emocionante Ave Verum de Imant Raminsh, selamos nossa performance com a bela e contemporânea Deus Qui Illuminas, interpretada de forma impactante. Durante nossas apresentações no concurso, o público aplaudiu o coro entre uma música e outra, quebrando o protocolo, e, ao término da apresentação sacra, fomos aplaudido de pé pelo público presente. Sensação inesquecível! 


No mesmo dia, à noite, nos apresentamos na categoria erudita. Tratamos de colocar em prática as lições aprendidas em Tolosa e permanecemos concentrados e poupando a voz até nosso retorno à catedral. Iniciamos com Monteverdi, atendendo regras do concurso, em uma levíssima e elogiada apresentação. Fizemos, em seguida, a complexa e dissonante Ondi Jueron. 





Seguimos com Irerê, de Marcos Leite, inspirada em Villa-lobos, onde as paisagens brasileiras de florestas, sertões e veredas foram perfeitamente transmutadas em som vocais. Fechamos de forma emocionante com Ofulú Lorerê, um canto afro-brasileiro rítmico que levantou uma vez mais a plateia e os jurados. A catedral entendeu e cantou conosco a rítmica afro-brasileira.





Fechamos nossa participação ganhando a medalha de ouro nas duas mais importantes e tradicionais categorias do evento (música sacra e música erudita) obtendo a maior pontuação do evento na categoria “música sacra”, ultrapassando importantes e tradicionais corais, de reconhecido renome internacional. 


Essa pontuação garantiu ao Boca que Usa entrada automática (sem pré-seleção) em qualquer concurso promovidos pela Interkultur até o ano de 2019 e nos qualificou para os The World Choirs Games de 2016 a ser realizado em Sochi, na Rússia e o de 2018 em país a ser definido.  





A performance musical competitiva, realizada na histórica catedral gótica de Santa Maria del Pi, em Barcelona,  proporcionou ao grupo elogiosas críticas na imprensa e nos meios musicais, rendendo ao Boca  inúmeros convites para concertos, concursos e festivais em diversos continentes.







Um dia após o concurso, ainda sem sabermos do resultado, participamos do importante concerto "music and Ligth", um concerto de gala apresentado na importante catedral de Santa Maria i Sant Nicolau, em  Calella, preparado pelo comitê organizador, no qual compartilhamos o palco com dois excepcionais e emblemáticos coros europeus o feminino Viva (Noruega) e Coro Vivaldi (Barcelona, regido por Oscar Boada).




Durante a entrega de prêmios, vivemos uma emoção única. A longa espera, até ouvirmos nosso nome e de nosso país no lugar mais alto da competição, foi torturante. Mas ouvir nosso nome como campeões, por duas vezes, valeu todos os nossos esforços ao longo desses anos de construção e aprendizado. 





Cada um, de sua forma, viveu a sensação de plenitude musical, objetivo alcançado, valorização solitária e coletiva do nosso trabalho. Pensamos também naqueles que nos apoiaram sempre e que não estavam ali para ver e sentir aquilo tudo. Os muitos cantores que ajudaram a construir essa história e que, por algum motivo também não estavam ali ... comemoramos muito lá e aqui. 

O Canta Al Mar mostrou que o canto coral brasileiro, se trabalhado seriamente, é forte, competitivo e criativo. Que isso sirva sempre de estímulos aos nosso excelentes coros.
Mas a nossa história não para aqui. 


Continuamos nossos sonhos e reiniciamos a todo vapor nossos trabalhos, já pensando nos futuros concursos. Concertos, caixinhas, cds, feijoadas, saraus ... rotina extensa para os empobrecidos coros amadores brasileiros, que se alimentam de sonhos e utopias.






 Para onde vamos na próxima viagem? Talvez Russia, Veneza, França ...?? Esse destino só o tempo e a "caixinha" vão poder dizer!




Concurso Internacional de Coros de São Lourenço - Minas Gerais - Brasil

Título do Evento: I Concurso Internacional de Coros AMERIDE - São Lourenço - Brasil

Entidade Organizadora:  Fundación AMERIDE - Venezuela

Ano: 2011


Componentes:

Sopranos: Giana Araujo, Lina Santoro, Lívia Natividade 

Contraltos: Ana Luisa Gouvêa, Flávia Rodrigues, Márcia Godinho

Tenores: Guilherme Campos, Gustavo Campos, Jerônimo Menezes

Baixos: Eduardo Fraga, Ricardo Fraga, Roberto Fabri







Após diversas experiências em outros países, finalmente poderíamos participar de um concurso coral internacional dentro do nosso próprio país. Fazia tempo que os grandes concursos nacionais não aconteciam mais. 




Foi preciso que a fundação venezuelana AMERIDE, com a experiência e a tradição do canto coral naquele país viesse aqui e organizasse um concurso nos moldes e no padrão internacional. 








De modo surpreendente para um primeiro concurso, tivemos a presença de ótimos coros de diversos e representativos países latino-americanos, incluindo Argentina, México, Uruguai, Venezuela, Colômbia ... 




São Lourenço já era palco tradicional de diversos festivais e cursos na área do canto e direção coral, e sua tradição atraiu muita gente boa ao concurso internacional.













No ano anterior, já tínhamos participado, como coro convidado, do Seminário de Regência coral, promovido pela mesma instituição, e nossa participação no concurso foi bem tranquila, já que, literalmente, nos sentíamos em casa ali. 





Apesar do afastamento temporário de alguns dos nossos cantores, fomos a São Lourenço com a espinha dorsal do  grupo que competiu em Trelew. Ganhamos o reforço de Duda e Giana, que não puderam ir à Patagônia dois anos antes, mas que já participavam ativamente dos demais eventos do grupo.









Cantamos com três componentes em cada naipe, e Jero compondo a naipe de tenores. Ousamos no repertório, onde algumas composições foram cantadas praticamente com cada componente sendo responsável por uma linha musical (uma voz). 


Com as experiências adquiridas anteriormente, cantamos na parte competitiva do concurso, como se estivéssemos nos apresentando em Niterói, para um público caseiro. 




O resultado foi a conquista da medalha de ouro e o nosso reencontro com prêmios internacionais, após abstinência de prêmios nos dois últimos concursos. 











Apesar do pequeno número de componentes, a parte musical foi precisa: afinação e execução sem erros, e uma forte qualidade interpretativa no repertório proposto.






A técnica vocal contínua, competentemente conduzida por Lina, proporcionou uma timbragem perfeita e um ótimo volume sonoro, apesar do pequeno tamanho do nosso coro. 










Dentre outras peças, fizemos uma antológica interpretação de Garota de Ipanema (Arr. de Clóvis Pereira), que levantou a platéia. 












Saímos do concurso com enorme satisfação de dever cumprido. Fizemos diversos concertos não competitivos por lá, com uma bela apresentação ao ar livre no "Teatro de bambu".



Também viajamos de Maria Fumaça com os outros grupos, curtimos muito a natureza e a beleza das montanhas mineiras, o parque das águas, a tradicional culinária do sul de Minas, e belíssimos dias ensolarados. 



Foi uma viagem para refazer as energias e reposicionar o Boca no caminho das vitórias em concursos internacionais.